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Brasil

Maus-tratos sobem 106% em quatro anos, e o cyberbullying tem endereço: o 6º e o 7º ano

Foto: Caleb Oquendo — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou em julho de 2026 a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, e pela primeira vez ampliou a seção sobre violência contra crianças e adolescentes. Os registros de maus-tratos cresceram 106,1% entre […]

23 JUL 2026
Maus-tratos sobem 106% em quatro anos, e o cyberbullying tem endereço: o 6º e o 7º ano

Foto: Caleb Oquendo — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou em julho de 2026 a 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, com dados de 2025, e pela primeira vez ampliou a seção sobre violência contra crianças e adolescentes. Os registros de maus-tratos cresceram 106,1% entre 2021 e 2025, chegando a 38.986 ocorrências, com 59,1% das vítimas na faixa de 0 a 9 anos. Abandono de incapaz subiu 18,5%, para 14.815 casos. Bullying somou 4.549 registros, 48% deles na faixa de 10 a 13 anos; o cyberbullying, 677 casos, alta de 61,4%, com 42% das vítimas também entre 10 e 13 anos. Crimes relacionados a material de abuso sexual infantil chegaram a 4.063 registros, alta de 25,3% — e 34,2% dos autores identificados são, eles próprios, adolescentes.

Dois números desse conjunto mudam o desenho de um plano de prevenção. O primeiro é a concentração de bullying e cyberbullying entre 10 e 13 anos: é a transição do fundamental I para o fundamental II, a janela em que a criança troca de professora de referência por oito professores diferentes, ganha celular e perde o adulto que a olhava todos os dias — e é justamente onde a maioria das escolas não tem protocolo estruturado. O segundo é que um terço dos autores de material de abuso sexual são adolescentes, o que desloca o problema do predador externo para a dinâmica entre pares, dentro da própria comunidade escolar. E há um terceiro número, que não está no Anuário: a SaferNet recebeu 63.214 imagens para análise no período, contra 4.063 registros policiais. A distância entre os dois é a medida da subnotificação.

Na prática, isso sugere três movimentos. Concentrar a prevenção de bullying e cyberbullying no 6º e no 7º ano, onde o dado diz que estão as vítimas, em vez de distribuir palestra igual por toda a escola. Tratar circulação de imagem íntima entre adolescentes como questão de proteção, não só de disciplina: há vítima e há autor, os dois são crianças ou adolescentes, e os dois precisam de encaminhamento à rede. E construir série histórica própria — registros por tipo e por faixa etária, ano a ano — para comparar com o Anuário e enxergar a própria subnotificação. Escola que não registra não descobre que não registra.

A diferença entre 4.063 registros na polícia e 63.214 imagens na SaferNet não é estatística: é o tamanho do que ninguém notificou.

Fontes

  • Fórum Brasileiro de Segurança Pública — “Anuário Brasileiro de Segurança Pública”, 20ª edição — 23/07/2026 — https://forumseguranca.org.br/publicacoes/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica/
  • POA24Horas — “Anuário da Segurança Pública aponta aumento da violência contra crianças e adolescentes no Brasil” — 23/07/2026 — https://poa24horas.com.br/porto-alegre/2026/07/anuario-da-seguranca-publica-aponta-aumento-da-violencia-contra-criancas-e-adolescentes-no-brasil/
  • Portal da Alego — “Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 inova ao incluir dados sobre crimes cometidos contra crianças e adolescentes” — 31/07/2026 — https://portal.al.go.leg.br/noticias/166721/anuario-brasileiro-de-seguranca-publica-de-2026-inova-ao-incluir-dados-sobre-crimes-cometidos-contra-criancas-e-adolescentes