Creche chega a 43,3%, e 1,7 milhão de famílias continuam na fila
Foto: Pavel Danilyuk — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado A PNAD Contínua Educação 2025, do IBGE, divulgada em 2 de julho de 2026, mostra que o atendimento em creche na faixa de 0 a 3 anos chegou a 43,3%, o maior da série histórica, contra 41,1% em 2024 e 31,8% em 2016. São […]
02 JUL 2026
Foto: Pavel Danilyuk — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado
A PNAD Contínua Educação 2025, do IBGE, divulgada em 2 de julho de 2026, mostra que o atendimento em creche na faixa de 0 a 3 anos chegou a 43,3%, o maior da série histórica, contra 41,1% em 2024 e 31,8% em 2016. São cerca de 4,5 milhões de crianças matriculadas dentro de um universo de 9,4 milhões. A pré-escola, de 4 e 5 anos, atingiu 96,1%, também recorde, mas ainda deixa 219 mil crianças fora. A nota técnica do Todos Pela Educação abre os recortes: entre os 20% mais pobres, 24,2% relatam dificuldade de acesso, contra 6,4% entre os 20% mais ricos; entre crianças pretas, pardas e indígenas, 19,6%, contra 14,2% entre brancas e amarelas. A distância entre estados chega a 49 pontos percentuais — Santa Catarina lidera com 58,4%, e o Amapá aparece com 9,4%. O novo PNE, sancionado em abril de 2026, fixou meta de 60%.
O avanço é real e vale registrar: onze pontos percentuais em quase uma década não é pouco. Mas a meta anterior, de 50% até 2024, não foi cumprida, e a nova exige ritmo maior do que o atual. E há um recorte que muda o que se faz com esse número: a faixa de 0 a 1 ano segue com atendimento muito baixo, o que significa que o primeiro ano de vida — justamente aquele em que a vigilância do desenvolvimento é mais decisiva — acontece quase inteiramente fora de qualquer instituição de educação. Quem acompanha essa criança, se alguém acompanha, é a atenção básica.
Para a gestão municipal, o movimento prático é cruzar a demanda manifesta na fila com o Cadastro Único e com o território, porque expansão sem esse cruzamento gera vaga onde não há criança e fila onde não há obra. Para as redes que já ampliaram cobertura, o próximo indicador não é matrícula: é proporção adulto-bebê, formação continuada e qualidade da rotina de interação — vaga sem isso é guarda, não é educação infantil. E para as famílias com bebês de até um ano, o dado prático é que o acompanhamento do desenvolvimento nesse período depende de casa e de UBS, e vale pedir explicitamente na consulta que os marcos daquela idade sejam revistos.
Matrícula é o número que o país comemora. Interação por adulto é o número que a criança sente.
Fontes
- Agência Brasil — “Matrículas em creches avançam em quase uma década” — 02/07/2026 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-07/matriculas-em-creches-avancam-11-em-quase-uma-decada
- Todos Pela Educação — “PNAD 2025 — Acesso à Educação Infantil no Brasil” (nota técnica) — 07/2026 — https://todospelaeducacao.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2026/07/pnad-2025-acesso-a-educacao-infantil-no-brasil-todos-pela-educacao.pdf
- Poder360 — “Matrículas em creches avançam 11% em quase uma década, diz IBGE” — 05/07/2026 — https://www.poder360.com.br/poder-educacao/matriculas-em-creches-avancam-11-em-quase-uma-decada-diz-ibge/