Cinco crianças mortas por dia: UNICEF e Fórum de Segurança levam a conta aos candidatos
Foto: Lana — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado Em 13 de agosto de 2026, em Brasília, o UNICEF e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apresentaram o Manifesto pelas Crianças e Adolescentes nas Eleições 2026, entregue a candidatos, com os números do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foram 2.079 mortes violentas intencionais […]
13 AGO 2026
Foto: Lana — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado
Em 13 de agosto de 2026, em Brasília, o UNICEF e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apresentaram o Manifesto pelas Crianças e Adolescentes nas Eleições 2026, entregue a candidatos, com os números do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Foram 2.079 mortes violentas intencionais de crianças e adolescentes em 2025 — pelo menos cinco por dia. 88% das vítimas tinham entre 12 e 17 anos; 240 tinham 11 anos ou menos; a maioria era negra. Houve queda de 10,8% nas mortes violentas entre 2024 e 2025. 65% dos estupros contra crianças e adolescentes ocorreram dentro da própria casa da vítima. As internações socioeducativas caíram 53% entre 2016 e 2025, de 26.450 para 12.203. Participaram Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil, Layla Saad, representante adjunta, e o sociólogo Cauê Martins, do FBSP. A proposta central é uma política nacional de prevenção da violência com responsabilidades definidas entre União, estados e municípios e orçamento vinculado.
Um número desmonta a narrativa mais comum sobre violência contra criança: 65% dos estupros acontecem na casa da vítima. Não é violência de rua, não é desconhecido, não é o caminho da escola. É o lugar que a criança não pode escolher deixar. Isso reposiciona a escola de forma incômoda e precisa — ela deixa de ser o lugar de onde a criança precisa ser protegida e passa a ser, com frequência, o único espaço da semana em que ela pode contar. Outro número corre no sentido contrário do discurso público: as internações socioeducativas caíram mais da metade em nove anos, enquanto a demanda por endurecimento cresceu.
Se a violência acontece majoritariamente em casa, a consequência operacional é direta: o canal de denúncia da escola não pode depender de a criança procurar a direção, e muito menos passar pela família. Precisa haver um adulto de referência identificado, um espaço de escuta que não seja a sala do diretor e um caminho que funcione mesmo quando o agressor é quem assina a autorização de passeio. Cruze também sua lista de infrequentes com a faixa de 12 a 17 anos, onde estão 88% das mortes: evasão nessa idade não é só problema pedagógico, é exposição. E cobre dos candidatos locais orçamento para Conselho Tutelar e CREAS — são eles que recebem a notificação que a escola faz.
Se dois terços da violência sexual acontecem dentro de casa, a escola não é o risco: é a única porta que a criança consegue abrir sozinha.
Fontes
- UNICEF Brasil — “UNICEF e Fórum Brasileiro de Segurança Pública realizam encontro com jornalistas” — 13/08/2026 — https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/unicef-e-forum-brasileiro-de-seguranca-publica-realizam-encontro-com-jornalistas
- Agência Brasil — “Entidades cobram ações de candidatos contra violência infantil” — 13/08/2026 — https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-08/entidades-cobram-propostas-de-candidatos-contra-violencia-infantil