Aleitamento exclusivo chega a 47%, e o gargalo não é falta de informação
Foto: Helena Lopes — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado realizou em 3 de agosto de 2026 audiência pública sobre aleitamento materno, dentro do Agosto Dourado, presidida pela senadora Damares Alves. Foi informado que a taxa de aleitamento materno exclusivo até os seis meses […]
03 AGO 2026
Foto: Helena Lopes — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado
A Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado realizou em 3 de agosto de 2026 audiência pública sobre aleitamento materno, dentro do Agosto Dourado, presidida pela senadora Damares Alves. Foi informado que a taxa de aleitamento materno exclusivo até os seis meses subiu de 37% em 2012 para 47% em 2026, ainda distante da meta de 60% até 2030. O país conta com 239 bancos de leite humano, 261 postos de coleta e 334 hospitais certificados como Hospital Amigo da Criança. Participaram Stephanie Amaral, do UNICEF, Sonia Isoyama Venancio, do Ministério da Saúde, Miriam Oliveira dos Santos, da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, e Luisete Bandeira, da OPAS, entre outros. Amaral afirmou que persistem desigualdades regionais e que o retorno ao trabalho torna a continuidade da amamentação praticamente impossível em grandes centros. Está em análise o PL 4.768/2019, que cria a Política Nacional de Incentivo à Amamentação. Foi citada também a Lei 15.371/2026, que amplia gradualmente a licença-paternidade para 20 dias até 2029.
Dez pontos percentuais em catorze anos é avanço real e lento, e a explicação apresentada na audiência desloca o problema de lugar. O gargalo não é a mãe não saber que amamentar é bom — essa informação circula há décadas. É a volta ao trabalho. Isso muda o endereço da solução: sai da campanha e entra na creche que recebe bebê menor de 1 ano, na sala de apoio à amamentação no local de trabalho, na licença. A ampliação gradual da licença-paternidade até 20 dias em 2029 é peça direta desse quebra-cabeça, porque redistribui o cuidado dos primeiros meses em vez de somar mais uma tarefa à mesma pessoa.
Creches que recebem bebês menores de 1 ano precisam de fluxo montado para receber, armazenar e ofertar leite materno ordenhado — geladeira identificada, rotulagem com data, protocolo de aquecimento e registro. Sem isso a mãe que quer continuar não consegue, mesmo tendo licença. Gestores podem mapear o banco de leite ou posto de coleta mais próximo e divulgar o endereço já na matrícula, e prefeituras podem instalar sala de apoio à amamentação para as próprias servidoras, que foi a medida citada como resposta ao retorno ao trabalho. E vale informar as famílias sobre a licença-paternidade crescente até 2029, porque muda o planejamento dos primeiros meses.
Ninguém para de amamentar por falta de informação. Para-se por falta de geladeira, de sala e de licença.
Fontes
- Senado Notícias — “Brasil avançou no aleitamento materno, mas enfrenta desafios, dizem especialistas” — 03/08/2026 — https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/08/03/brasil-avancou-no-aleitamento-materno-mas-enfrenta-desafios-dizem-especialistas
- Rádio Senado — “Senado deve analisar Política Nacional de Incentivo à Amamentação” — 04/08/2026 — https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2026/08/04/senado-deve-analisar-politica-nacional-de-incentivo-a-amamentacao