Pular para o conteúdo
Catarina Notícias Ir para o site →
Internacional

Pai que olha o celular no meio da conversa: 80% do efeito passa pela intimidade da família

Foto: Shotpot — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado Estudo transversal com modelo de mediação serial publicado na Frontiers in Psychology em 21 de agosto de 2026, de Jun Liu, Jiani Rong, Longfeng Zhu e Yixin Zhang, ouviu 1.113 responsáveis por crianças de 3 a 6 anos na província de Fujian, na China — […]

21 AGO 2026
Pai que olha o celular no meio da conversa: 80% do efeito passa pela intimidade da família

Foto: Shotpot — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Estudo transversal com modelo de mediação serial publicado na Frontiers in Psychology em 21 de agosto de 2026, de Jun Liu, Jiani Rong, Longfeng Zhu e Yixin Zhang, ouviu 1.113 responsáveis por crianças de 3 a 6 anos na província de Fujian, na China — 576 meninos e 537 meninas, com 245 pais e 868 mães. O chamado phubbing parental, que é interromper a interação com a criança para olhar o celular, predisse negativamente a competência socioemocional infantil (β = −0,132; p < 0,001). O efeito indireto respondeu por 79,5% do efeito total: a intimidade familiar mediou 49,2%, o apego entre pai ou mãe e criança mediou 22,7% e a via serial, 7,6%. A correlação entre intimidade familiar e competência socioemocional foi de 0,398.

O número que organiza tudo é o 79,5%. Quase oitenta por cento do efeito não vem do celular em si — vem da intimidade e do apego que a interrupção corrói. Isso conversa diretamente com a lógica do “serve and return”, a troca em que a criança oferece algo (um olhar, um som, um objeto) e o adulto devolve: o dano não está na tela ligada, está na devolutiva que não vem. Como é estudo transversal e por autorrelato dos responsáveis, não prova causa. Mas identifica com precisão onde a intervenção deve mirar, e é uma mira mais gentil do que a habitual: não é sobre culpar quem usa o celular, é sobre proteger momentos de resposta.

Na conversa com famílias, isso permite trocar uma frase difícil de cumprir por uma fácil. Em vez de “reduza o tempo de tela”, proponha três janelas curtas e inegociáveis sem celular do adulto: a refeição, o banho e a chegada em casa ou na creche. Reforce a lógica da devolutiva — quando a criança olha, aponta, balbucia ou chama, o adulto responde na hora, e é essa troca que constrói o vínculo, não a quantidade de horas juntos. Educadores podem modelar o mesmo comportamento: celular fora de alcance durante a roda, a alimentação e o acolhimento da manhã. E o alvo declarado muda de “menos tela” para “três momentos por dia de atenção inteira”, que é mensurável e alcançável.

O dano não está na tela ligada. Está na resposta que não vem.

Fontes

  • Frontiers in Psychology — “The relationship between parental phubbing and preschool children’s social–emotional competence: a serial mediation model of family intimacy and parent–child attachment” — 21/08/2026 — https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2026.1850205/full