Programa Catarina – Notícias https://noticias.programacatarina.com.br Educação e cultura de prevenção a desastres Sun, 23 Aug 2026 21:02:06 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 Dia D da multivacinação: a caderneta é a mesma que registra os marcos, e só uma página está sendo preenchida https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/22/dia-d-da-multivacinacao-a-caderneta-e-a-mesma-que-registra-os-marcos/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/22/dia-d-da-multivacinacao-a-caderneta-e-a-mesma-que-registra-os-marcos/#respond Sat, 22 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/22/dia-d-da-multivacinacao-a-caderneta-e-a-mesma-que-registra-os-marcos/ Foto: Pavel Danilyuk — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

O Ministério da Saúde realizou em 22 de agosto de 2026 o Dia D nacional da Campanha de Multivacinação, iniciada em 7 de agosto e com término previsto para 1º de setembro. A campanha oferece cerca de 20 vacinas do Calendário Nacional para menores de 15 anos, entre elas BCG, hepatite B, pentavalente, poliomielite, rotavírus, pneumocócica 10 e 20-valente, meningocócica C e ACWY, influenza, covid-19, febre amarela, tríplice viral, varicela e hepatite A. Foram distribuídos 1,5 milhão de doses aos estados especificamente para a campanha e mais de 177 milhões ao longo de 2026. Segundo o ministério, o número de crianças sem nenhuma dose caiu de 360 mil em 2023 para 255 mil em 2024 e cerca de 50 mil em 2025. A pneumocócica 20-valente é novidade de 2026, e foi incluída a segunda dose de reforço da poliomielite aos 4 anos.

A queda de 360 mil para 50 mil crianças sem nenhuma dose em dois anos é a maior variação recente de um indicador de saúde da criança pequena no Brasil, e mostra que busca ativa funciona quando existe. Mas há um risco de leitura embutido: cobertura vacinal alta não significa que o desenvolvimento foi acompanhado. São duas páginas da mesma caderneta, preenchidas na mesma consulta, pelo mesmo profissional — e só uma delas está sendo medida com esse rigor. A vacina tem meta, campanha, Dia D e painel. Os marcos de desenvolvimento têm uma tabela que muitas vezes atravessa a infância inteira em branco.

Para a creche, o momento é oportuno: mutirão de conferência de caderneta na entrada e na saída, sinalizando às famílias o que falta sem constranger ninguém, e atenção especial às duas novidades de 2026 — a pneumocócica 20-valente e o reforço de pólio aos 4 anos. Para a gestão municipal, vale articular sala de vacina em horário estendido e no sábado enquanto a rede está abastecida, e usar a mesma estrutura de busca ativa que funcionou na vacinação para puxar a vigilância do desenvolvimento. Para as famílias, uma frase resolve: na consulta da vacina, peça que o profissional revise também os marcos daquela idade. É direito, está previsto na Caderneta e é a pergunta mais barata que existe.

São duas páginas da mesma caderneta, preenchidas na mesma consulta. O país aprendeu a preencher uma.

Fontes

  • Ministério da Saúde — “Dia D mobiliza crianças e adolescentes para atualizar a caderneta de vacinação” — 22/08/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/agosto/dia-d-mobiliza-criancas-e-adolescentes-para-atualizar-a-caderneta-de-vacinacao
  • Ministério da Saúde — “Ministério da Saúde reforça vacinação de crianças e adolescentes contra sarampo, pneumonias e outras doenças” — 07/08/2026 — https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias-ms/2026/agosto/ministerio-da-saude-reforca-vacinacao-de-criancas-e-adolescentes-contra-sarampo-pneumonias-e-outras-doencas
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Pai que olha o celular no meio da conversa: 80% do efeito passa pela intimidade da família https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/21/pai-que-olha-o-celular-no-meio-da-conversa-80-do-efeito-passa-pela-intimidade-da-familia/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/21/pai-que-olha-o-celular-no-meio-da-conversa-80-do-efeito-passa-pela-intimidade-da-familia/#respond Fri, 21 Aug 2026 15:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/21/pai-que-olha-o-celular-no-meio-da-conversa-80-do-efeito-passa-pela-intimidade-da-familia/ Foto: Shotpot — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Estudo transversal com modelo de mediação serial publicado na Frontiers in Psychology em 21 de agosto de 2026, de Jun Liu, Jiani Rong, Longfeng Zhu e Yixin Zhang, ouviu 1.113 responsáveis por crianças de 3 a 6 anos na província de Fujian, na China — 576 meninos e 537 meninas, com 245 pais e 868 mães. O chamado phubbing parental, que é interromper a interação com a criança para olhar o celular, predisse negativamente a competência socioemocional infantil (β = −0,132; p < 0,001). O efeito indireto respondeu por 79,5% do efeito total: a intimidade familiar mediou 49,2%, o apego entre pai ou mãe e criança mediou 22,7% e a via serial, 7,6%. A correlação entre intimidade familiar e competência socioemocional foi de 0,398.

O número que organiza tudo é o 79,5%. Quase oitenta por cento do efeito não vem do celular em si — vem da intimidade e do apego que a interrupção corrói. Isso conversa diretamente com a lógica do “serve and return”, a troca em que a criança oferece algo (um olhar, um som, um objeto) e o adulto devolve: o dano não está na tela ligada, está na devolutiva que não vem. Como é estudo transversal e por autorrelato dos responsáveis, não prova causa. Mas identifica com precisão onde a intervenção deve mirar, e é uma mira mais gentil do que a habitual: não é sobre culpar quem usa o celular, é sobre proteger momentos de resposta.

Na conversa com famílias, isso permite trocar uma frase difícil de cumprir por uma fácil. Em vez de “reduza o tempo de tela”, proponha três janelas curtas e inegociáveis sem celular do adulto: a refeição, o banho e a chegada em casa ou na creche. Reforce a lógica da devolutiva — quando a criança olha, aponta, balbucia ou chama, o adulto responde na hora, e é essa troca que constrói o vínculo, não a quantidade de horas juntos. Educadores podem modelar o mesmo comportamento: celular fora de alcance durante a roda, a alimentação e o acolhimento da manhã. E o alvo declarado muda de “menos tela” para “três momentos por dia de atenção inteira”, que é mensurável e alcançável.

O dano não está na tela ligada. Está na resposta que não vem.

Fontes

  • Frontiers in Psychology — “The relationship between parental phubbing and preschool children’s social–emotional competence: a serial mediation model of family intimacy and parent–child attachment” — 21/08/2026 — https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2026.1850205/full
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ANPD notifica 22 plataformas — e pela primeira vez ChatGPT e lojas de aplicativos entram na mesma régua das redes sociais https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/21/anpd-notifica-22-plataformas-e-chatgpt-e-lojas-de-apps-entram-na-mesma-regua/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/21/anpd-notifica-22-plataformas-e-chatgpt-e-lojas-de-apps-entram-na-mesma-regua/#respond Fri, 21 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/21/anpd-notifica-22-plataformas-e-chatgpt-e-lojas-de-apps-entram-na-mesma-regua/ Foto: Ron Lach — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

A ANPD anunciou em 21 de agosto de 2026 a abertura de dois processos de monitoramento que notificam 22 agentes digitais. O grupo 1 tem 13 plataformas: Instagram, Facebook, WhatsApp (canais públicos), Telegram (canais e grupos públicos), TikTok, X, Discord, YouTube, Kwai, LinkedIn, Snapchat, Pinterest e Reddit. O grupo 2 tem 9 lojas de aplicativos e ferramentas de IA: App Store, Google Play, Copilot, Claude, DeepSeek, Gemini, ChatGPT, Meta AI e Perplexity. O prazo de resposta é de dez dias úteis. A base legal invocada é o Marco Civil da Internet, o Decreto nº 8.771/2016 com as alterações dos Decretos nº 12.975/2026 e 12.976/2026, e o ECA Digital. A seleção considerou alcance no mercado brasileiro, relevância dos serviços, funcionalidades e riscos. A agência analisará governança, gestão de riscos, sistemas de recomendação algorítmica, moderação, canais de denúncia e medidas contra conteúdo íntimo não consentido — e não postagens individuais.

Duas coisas mudam de patamar. A primeira: ferramentas de IA generativa e lojas de aplicativos entram no mesmo balaio regulatório das redes sociais. É o reconhecimento de que o vetor de risco para criança hoje passa por chatbot e por sistema operacional, não só por feed. A segunda: o foco declarado é processo e evidência — governança, canal de denúncia, moderação — e não conteúdo isolado. Isso significa que a régua brasileira vai cobrar documentação, no modelo europeu de risco sistêmico. Para quem está na ponta, há um efeito colateral útil: passa a existir um interlocutor regulatório concreto quando o canal de denúncia de uma plataforma falha.

Comece pelo mapa: quais dessas 22 plataformas circulam de fato na sua comunidade escolar? Depois teste, na prática, o canal de denúncia de cada uma que importa — registre print, número de protocolo, prazo prometido e desfecho. Esse registro vira insumo tanto para o Conselho Tutelar quanto para eventual representação à ANPD, e é a única forma de transformar “a plataforma não fez nada” em prova. Padronize também um fluxo interno: quem registra, em quanto tempo escala, quem comunica a família, quando aciona a rede. E inclua explicitamente apps de IA na política de uso de tecnologia da escola, porque agora eles são objeto de fiscalização e de dever de cuidado.

Reclamar que a plataforma não respondeu não é prova. O print com número de protocolo e data, sim.

Fontes

  • ANPD (gov.br) — “ANPD avalia como plataformas digitais atuam para prevenir conteúdos criminosos e proteger crianças e mulheres na internet” — 21/08/2026 — https://www.gov.br/anpd/pt-br/assuntos/noticias/anpd-avalia-como-plataformas-digitais-atuam-para-prevenir-conteudos-criminosos-e-proteger-criancas-e-mulheres-na-internet
  • Poder360 — “ANPD abre monitoramento de plataformas digitais para prevenir crimes” — 21/08/2026 — https://www.poder360.com.br/poder-seguranca-publica/anpd-abre-monitoramento-de-plataformas-digitais-para-prevenir-crimes/
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A criança quieta demais também é sinal: emprego dos responsáveis e saúde socioemocional em quase 22 mil famílias https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/19/a-crianca-quieta-demais-tambem-e-sinal-emprego-dos-responsaveis-e-saude-socioemocional/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/19/a-crianca-quieta-demais-tambem-e-sinal-emprego-dos-responsaveis-e-saude-socioemocional/#respond Wed, 19 Aug 2026 15:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/19/a-crianca-quieta-demais-tambem-e-sinal-emprego-dos-responsaveis-e-saude-socioemocional/ Foto: RDNE Stock Project — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Estudo transversal publicado na Frontiers in Pediatrics em 19 de agosto de 2026, de Guiting Ren, Hongli Sun e Jingyu Bu, analisou 21.968 duplas responsável–criança de 3 a 6 anos em Yan’an, no oeste da China, cruzando a situação de emprego dos dois responsáveis com escores de problemas internalizantes — ansiedade, retraimento — e externalizantes — agressividade, oposição. Em famílias em que só o pai trabalhava, houve maior chance de problemas internalizantes (aOR = 1,11) e menor de externalizantes (aOR = 0,90). Quando nenhum dos responsáveis estava empregado, a chance de problemas internalizantes subiu para aOR = 1,31. O desemprego paterno apareceu ligado a problemas externalizantes (aOR = 1,25). É desenho transversal, portanto associação e não causalidade.

O achado tem uma implicação incômoda para a rotina da creche e da pré-escola. Vulnerabilidade econômica familiar apareceu associada, sobretudo, a problemas internalizantes — ansiedade e retraimento. E problemas internalizantes são invisíveis por definição: a criança que se isola, que chora com facilidade, que não incomoda ninguém, é frequentemente descrita como “criança boazinha”, “tranquila”, “não dá trabalho”. Ela raramente entra na conversa da equipe, porque a conversa da equipe é ocupada por quem grita e quem bate. O estudo também sugere que não basta falar de pobreza em bloco: a configuração de quem trabalha na casa se associa a perfis diferentes de sofrimento.

Na prática, a mudança é de foco de observação. Olhe tanto a criança que dá trabalho quanto a que fica quieta demais — retraimento é sinal, não bom comportamento. Vale à equipe listar, uma vez por bimestre, quais crianças da turma quase não foram mencionadas em nenhuma reunião: essa lista costuma ser reveladora. Gestores podem cruzar dados de vulnerabilidade econômica da família com o acompanhamento socioemocional, priorizando busca ativa nas famílias com os dois responsáveis sem trabalho. E famílias em desemprego precisam ser acolhidas sem julgamento e encaminhadas para a rede de proteção e renda — registrar mudanças de comportamento junto com mudanças na situação da família ajuda a montar o quadro completo.

Numa reunião de equipe, fala-se de quem grita. Vale perguntar de quem não foi mencionado.

Fontes

  • Frontiers in Pediatrics — “Parental employment status and preschoolers’ emotional and behavioral problems in Western China: a cross-sectional study” — 19/08/2026 — https://www.frontiersin.org/journals/pediatrics/articles/10.3389/fped.2026.1897604/full
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Austrália obriga a Roblox a pagar auditoria externa: “não dá para corrigir a própria prova” https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/19/australia-obriga-roblox-a-pagar-auditoria-externa-nao-da-para-corrigir-a-propria-prova/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/19/australia-obriga-roblox-a-pagar-auditoria-externa-nao-da-para-corrigir-a-propria-prova/#respond Wed, 19 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/19/australia-obriga-roblox-a-pagar-auditoria-externa-nao-da-para-corrigir-a-propria-prova/ Foto: Tima Miroshnichenko — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

O eSafety Commissioner da Austrália anunciou em 19 de agosto de 2026 um compromisso exigível em juízo firmado com a Roblox em 17 de agosto, com vigência de três anos. Testes do regulador constataram que adultos podiam enviar solicitações de conexão a crianças desconhecidas sem consentimento dos responsáveis, que perfis e listas de conexões de crianças ficavam visíveis a terceiros e que o sistema de denúncia tinha problemas de acessibilidade em dispositivos móveis. Os prazos: três meses para bloquear solicitações de adultos a menores sem consentimento parental e para melhorar as denúncias; dois meses para ocultar por padrão listas de conexões e biografias de crianças; e restrição imediata de postagem em fóruns a usuários com idade verificada. A Roblox deve contratar, às próprias custas, auditor independente, com primeiro relatório três meses após a nomeação e auditorias anuais. A comissária Julie Inman Grant resumiu: “Roblox cannot mark their own homework”. O regulador afirma ser a primeira vez que exige auditoria externa de segurança de uma empresa de tecnologia.

O elo mais frágil de toda regulação de idade — inclusive a brasileira — é que a verificação é feita e avaliada pela própria empresa. Condicionar a permanência da plataforma a auditoria independente paga por ela ataca exatamente esse ponto, e o desenho é transplantável: compromisso vinculante, prazos curtos, verificação por terceiro. As três falhas apontadas também merecem leitura direta, porque não são abstratas: adulto desconhecido consegue puxar conversa, o perfil da criança é público e a denúncia é difícil de fazer no celular. É a descrição operacional de como o aliciamento começa. E Roblox é plataforma massivamente usada por crianças brasileiras em idade escolar.

Com as famílias, a orientação pode ser objetiva e verificável em três cliques: conta privada por padrão, bloqueio de solicitações de desconhecidos, ocultação de lista de amigos e biografia. Vale insistir que plataforma de jogo com chat entra no mesmo nível de atenção que rede social nas orientações da escola — é lá que o contato inicial acontece, não no feed. Para gestores públicos, guarde a estrutura do acordo australiano como modelo de exigência em qualquer termo de cooperação com plataforma: o que muda, em quantos dias e quem audita. Autodeclaração de segurança não é compromisso, é marketing.

Enquanto a empresa corrigir a própria prova, aferição de idade continua sendo uma promessa com aparência de tecnologia.

Fontes

  • ABC News (Austrália) — “Roblox to face external audits to prove it is safe for Australian children” — 20/08/2026 — https://www.abc.net.au/news/2026-08-20/roblox-esafety-court-enforceable-undertaking/107056294
  • Reuters via The Star — “Australia secures court-enforceable child safety undertaking from Roblox” — 19/08/2026 — https://www.thestar.com.my/tech/tech-news/2026/08/19/australia-secures-court-enforceable-child-safety-undertaking-from-roblox
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OpenAI lança versão para adolescentes e bloqueia roleplay romântico — quatro anos depois https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/18/openai-lanca-versao-para-adolescentes-e-bloqueia-roleplay-romantico-quatro-anos-depois/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/18/openai-lanca-versao-para-adolescentes-e-bloqueia-roleplay-romantico-quatro-anos-depois/#respond Tue, 18 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/18/openai-lanca-versao-para-adolescentes-e-bloqueia-roleplay-romantico-quatro-anos-depois/ Foto: Shkraba Anthony — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Em 18 de agosto de 2026 a OpenAI lançou o “ChatGPT for Teens”, experiência separada para usuários de 13 a 17 anos, com roteamento automático quando o sistema estima que a pessoa tem menos de 18 anos ou quando ela declara idade nessa faixa. As proteções ativam por padrão salvaguardas sobre automutilação, violência, transtornos alimentares, atividades perigosas e conteúdo sexual explícito, e bloqueiam roleplay romântico, linguagem romântica e insinuação de consciência por parte do modelo. Responsáveis com conta vinculada podem definir “Quiet Hours”, ajustar configurações e receber notificações de segurança em situações de alto risco. Há também um “Study Mode”, que conduz o estudante passo a passo em vez de entregar a resposta pronta, e lembretes acionados quando o sistema detecta tentativa de cola. O lançamento ocorre após múltiplos processos judiciais sobre segurança de adolescentes e cerca de quatro anos depois da estreia do ChatGPT.

O bloqueio de roleplay romântico e de simulação de consciência é o detalhe mais revelador do anúncio. Ele admite que o dano principal em IA conversacional para adolescente não é de conteúdo — não é a resposta perigosa que o modelo dá — e sim relacional: o vínculo que se forma com algo que responde sempre, nunca se cansa e nunca discorda de verdade. Também vale registrar o intervalo: quatro anos entre o produto chegar aos adolescentes e a proteção chegar ao produto. Esse atraso é, em si, a lição regulatória — e é o argumento de quem defende que a régua tem de vir antes, e não depois de processo judicial.

Na política de uso de IA da escola, separe três usos e nomeie o terceiro: estudo assistido, busca de informação e vínculo emocional. Só o terceiro é de risco crítico, e os estudantes precisam ouvir isso dito com todas as letras. Oriente famílias a vincular conta e ativar limites de horário onde existirem, e a tratar notificação de risco como gatilho de conversa, não de punição — se virar punição, o adolescente migra para onde não há aviso. Combine com o corpo docente uma avaliação compatível com o “Study Mode”: processo visível e etapas registradas valem mais que produto final. E inclua no protocolo de saúde mental a hipótese de o alerta chegar pela IA antes de chegar pela escola.

O risco não é a resposta errada que o modelo dá. É o vínculo com algo que responde sempre e nunca discorda de verdade.

Fontes

  • OpenAI — “Introducing ChatGPT for Teens: Built for learning, backed by protections” — 18/08/2026 — https://openai.com/index/chatgpt-for-teens/
  • TechCrunch — “OpenAI launches a safer ChatGPT for teens — years after teens started using it” — 18/08/2026 — https://techcrunch.com/2026/08/18/openai-launches-a-safer-chatgpt-for-teens-years-after-teens-started-using-it/
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https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/18/openai-lanca-versao-para-adolescentes-e-bloqueia-roleplay-romantico-quatro-anos-depois/feed/ 0
R$ 121 bilhões associados à primeira infância — e 3,25% exclusivos de 0 a 6 anos https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/17/r-121-bilhoes-associados-a-primeira-infancia-e-3-25-exclusivos-de-0-a-6-anos/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/17/r-121-bilhoes-associados-a-primeira-infancia-e-3-25-exclusivos-de-0-a-6-anos/#respond Mon, 17 Aug 2026 15:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/17/r-121-bilhoes-associados-a-primeira-infancia-e-3-25-exclusivos-de-0-a-6-anos/ Foto: Karola G — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

A organização Avante — Educação e Mobilização Social divulgou em 17 de agosto de 2026 levantamento sobre o orçamento federal destinado à primeira infância, cobrando maior transparência e rastreabilidade dos recursos. Segundo o estudo, o conjunto de ações orçamentárias associadas à primeira infância em 2025 somou R$ 121,15 bilhões, mas apenas 3,25% desse total foi classificado como gasto exclusivo para crianças de 0 a 6 anos. Os 96,75% restantes estão vinculados a políticas não exclusivas, que atendem também outras faixas etárias. O Bolsa Família concentrou R$ 70,37 bilhões dentro do montante associado. O PDDE direcionou R$ 123,56 milhões em ação exclusiva, alcançando 24.225 creches e pré-escolas. Em 2024 o gasto exclusivo havia sido de R$ 4,94 bilhões, aumento de 69% sobre os R$ 2,9 bilhões de 2023. Ana Luiza Buratto, da Avante, resumiu: “sem financiamento, seguimos apenas no discurso”.

A distância entre R$ 121 bilhões associados e cerca de R$ 3,9 bilhões exclusivos é o tamanho da zona cinzenta — e a razão pela qual é tão difícil responder à pergunta mais simples que existe: quanto o país gasta com uma criança de 0 a 6 anos? Não é que os R$ 121 bilhões sejam ficção; o Bolsa Família chega à família com criança pequena e importa muito. Mas política que atende de zero a noventa anos não permite saber se a criança de dois foi priorizada, apenas que ela estava incluída. E sem essa separação não há como cobrar execução, comparar entre governos ou avaliar se a prioridade absoluta escrita na Constituição aparece na planilha.

A metodologia é replicável e é aí que está o uso prático. Conselhos municipais de educação e de direitos da criança podem separar, no orçamento local, as ações exclusivas de 0 a 6 anos das genéricas — é trabalho de planilha, não exige consultoria. Gestores devem identificar no PPA e na LOA quais rubricas são de fato exclusivas de creche e pré-escola, porque é isso que se defende em audiência de prestação de contas. Redes que recebem PDDE para educação infantil devem conferir se estão entre as 24.225 unidades alcançadas. E vale usar o levantamento como referência: quando alguém disser que o município investe em primeira infância, a pergunta seguinte é quanto disso é exclusivo.

“Prioridade absoluta” é uma frase da Constituição. Na planilha, ela precisa ter uma linha própria.

Fontes

  • Nossa Causa — “Avante cobra transparência no orçamento federal da primeira infância” — 17/08/2026 — https://nossacausa.com/2026/08/avante-cobra-transparencia-no-orcamento-federal-da-primeira-infancia
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Estudo com 747 crianças: o que apareceu associado ao vocabulário não foi a tela da criança — foi o celular do adulto https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/17/estudo-747-criancas-o-que-apareceu-associado-ao-vocabulario-foi-o-celular-do-adulto/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/17/estudo-747-criancas-o-que-apareceu-associado-ao-vocabulario-foi-o-celular-do-adulto/#respond Mon, 17 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/17/estudo-747-criancas-o-que-apareceu-associado-ao-vocabulario-foi-o-celular-do-adulto/ Foto: Helena Lopes — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Um estudo de coorte prospectiva publicado na JAMA Pediatrics em 17 de agosto de 2026, assinado por Yang, Furnes, Morken, Hanssen, Lie, Melby-Lervåg e Anmarkrud, acompanhou 747 crianças recrutadas em municípios de toda a Noruega em 2023, com idade média de 4,9 anos no início, em três ondas anuais de avaliação, dos 5 aos 7 anos. Vocabulário receptivo e gramática receptiva foram medidos todo ano com o British Picture Vocabulary Scale e o Test for Reception of Grammar. A modelagem de crescimento latente separou o nível inicial da trajetória de crescimento, ajustando por escolaridade dos pais e renda familiar. O resultado central: a maioria dos indicadores de uso de tela não apareceu associada ao crescimento da linguagem. A exceção foi o tempo de tela de smartphone do cuidador principal — cada hora adicional por dia associou-se a 0,42 ponto a menos de crescimento anual no escore bruto de vocabulário receptivo, com intervalo de confiança de 95% entre −0,66 e −0,18. E crianças que já tinham dispositivo próprio aos 4 ou 5 anos começaram o estudo com 5,13 pontos a menos em vocabulário receptivo e 4,56 a menos em gramática receptiva.

O desenho é o que dá peso ao achado. Separar o nível inicial da trajetória permite distinguir “quem já era diferente antes” de “quem mudou ao longo do tempo” — e é essa separação que falta na maioria dos estudos de tela citados no debate público. Feita a separação, o que sobra associado à trajetória não é o comportamento da criança: é o do adulto. Vale a ressalva de sempre, que os próprios autores fazem: trata-se de associação, não de causa, e o efeito por hora é pequeno. Mas o deslocamento do eixo é grande. A conversa sai de “quanto tempo de tela a criança pode” e entra em “quanto tempo o adulto está disponível”.

Na rotina, isso vira algo bem mais fácil de aplicar do que contar minutos. Proteger janelas de interação sem celular do adulto: a refeição, o banho, a troca, a leitura, o trajeto até a creche. Educadores de creche podem modelar o mesmo — celular fora de alcance durante a roda, a alimentação e o acolhimento da manhã, que é quando a criança mais fala. Posse de dispositivo próprio antes dos seis anos merece uma conversa com a família, sem rótulo e sem alarme, apenas como algo que vale observar. E a orientação de maior retorno continua sendo a de custo zero: conversa recíproca, aquele vaivém em que o adulto responde ao que a criança acabou de dizer.

A criança não aprende a falar com quem está no cômodo. Aprende com quem responde.

Fontes

  • JAMA Pediatrics — “Screen Use and Children’s Language Development From Ages 5 to 7 Years” (Yang J. et al., DOI 10.1001/jamapediatrics.2026.3490, PMID 42606877) — 17/08/2026 — https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42606877/
  • Europe PMC — registro com abstract integral do mesmo artigo — 08/2026 — https://europepmc.org/search?query=DOI:%2210.1001/jamapediatrics.2026.3490%22
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Entre 12 e 24 meses, a tela dobra e o movimento fica parado — e o que muda o placar é a regra do adulto https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/15/entre-12-e-24-meses-a-tela-dobra-e-o-movimento-fica-parado/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/15/entre-12-e-24-meses-a-tela-dobra-e-o-movimento-fica-parado/#respond Sat, 15 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/15/entre-12-e-24-meses-a-tela-dobra-e-o-movimento-fica-parado/ Foto: Helena Lopes — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Estudo observacional longitudinal publicado na BMC Pediatrics em 15 de agosto de 2026, de Soyang Kwon, Nidhi S. Gopagani, Isabella R. Zylka, Sarah B. Welch e Bridget Armstrong, acompanhou 139 duplas criança–mãe na região metropolitana de Chicago, em três ondas de medição entre aproximadamente 12 e 24 meses de idade, com retenção de 84,9% na última onda. A atividade física moderada a vigorosa ficou estável, entre 73 e 80 minutos por dia, sem mudança significativa. Já o tempo de tela subiu de 27 para 46 e depois 59 minutos por dia. Cada ponto a mais no escore de práticas parentais que incentivam atividade física correspondeu a 9 minutos diários a mais de movimento; cada ponto a mais no escore de práticas que limitam tela correspondeu a 45 minutos diários a menos de tela.

Duas leituras interessam. A primeira é a janela: o hábito de tela mais que dobra entre um e dois anos de idade, antes de qualquer conversa sobre pré-escola, currículo ou “quanto tempo é permitido”. Quando o assunto chega à roda de pais, o padrão já está formado há um ano. A segunda é a assimetria entre o que funciona: limitar tela rendeu 45 minutos, incentivar movimento rendeu 9. Cinco vezes mais. Ou seja, dizer “vá brincar” tem efeito muito menor do que combinar onde a tela não entra. E vale a ressalva de sempre — é estudo observacional, com amostra pequena, então mostra associação, não causa.

A consequência prática é de calendário: a conversa sobre tela precisa começar no berçário, não na pré-escola. Regras curtas e explícitas rendem mais que discurso genérico sobre brincar mais, e é útil oferecer alternativa concreta nos horários de pico — fim de tarde, refeição, transporte —, porque é aí que a tela entra como solução de sobrevivência do adulto, e não como escolha. Um combinado curto que a creche pode enviar às famílias cabe em três linhas: sem tela na refeição, sem tela na hora de dormir, e tela nunca como calmante padrão. O objetivo não é zerar; é impedir que ela ocupe os momentos em que a criança mais conversa.

Quando a escola começa a falar de tela, o hábito já tem um ano de idade.

Fontes

  • BMC Pediatrics — “Trajectories of physical activity and screen media use in toddlers and related parenting practices: Child and Mother Physical Activity Study (CAMPAS)” — 15/08/2026 — https://link.springer.com/article/10.1186/s12887-026-07538-3
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Faltas registradas desde 2023: a decisão que mostra para que serve a lista de presença https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/14/faltas-registradas-desde-2023-a-decisao-que-mostra-para-que-serve-a-lista-de-presenca/ https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/14/faltas-registradas-desde-2023-a-decisao-que-mostra-para-que-serve-a-lista-de-presenca/#respond Fri, 14 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.programacatarina.com.br/2026/08/14/faltas-registradas-desde-2023-a-decisao-que-mostra-para-que-serve-a-lista-de-presenca/ Foto: Artem Podrez — imagem ilustrativa, não retrata o evento noticiado

Decisão da Vara da Infância e Juventude da comarca de Joinville, noticiada em 14 de agosto de 2026, condenou os responsáveis de uma criança com síndrome de Down por mantê-la fora da escola, com faltas registradas desde 2023. A sentença aplicou multa de meio salário mínimo, com possibilidade de parcelamento, revertida ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e determinou a comprovação de matrícula em 15 dias e, depois, da frequência. O processo passou a tramitar em segredo de justiça. A judicialização foi o último passo: escola, Conselho Tutelar e outros órgãos da rede tentaram antes resolver administrativamente, sem sucesso. A fundamentação registrou que a síndrome de Down não afasta o direito à educação e destacou a importância da frequência para desenvolvimento, autonomia e socialização.

O que sustentou a decisão foi um registro banal: a lista de presença, mantida com data, ano após ano. Sem ela não há caso, não há atuação do Ministério Público e não há sentença. Vale reparar também no recorte que o caso ilumina: crianças com deficiência retiradas da escola por decisão familiar, muitas vezes com discurso de cuidado, não aparecem nas estatísticas de abandono do jeito que a evasão comum aparece — e, fora da escola, somem também do único olhar externo regular sobre elas. Quando a criança não frequenta, não é só o aprendizado que para. Para a identificação de negligência e de violência doméstica.

Trate frequência como instrumento de proteção, não como burocracia. Monte um gatilho automático no sistema — por exemplo, 30% de ausências no bimestre — que dispare contato, busca ativa e, sem retorno, ofício ao Conselho Tutelar. Documente cada etapa por escrito e com data: ligação, visita, reunião, ofício. É essa trilha que viabiliza a atuação do Ministério Público e da Vara da Infância, e é ela que falta na maioria dos casos que travam. E trate a recusa de matrícula de criança com deficiência como sinal de risco, não como opção pedagógica da família: ofereça o plano de apoio individualizado antes de escalar.

A lista de presença parece a coisa mais burocrática da escola até o dia em que ela é a única prova de que alguém sumiu.

Fontes

  • ConJur — “Manter filho com síndrome de Down longe da escola gera multa” — 14/08/2026 — https://conjur.com.br/2026-ago-14/manter-crianca-com-sindrome-de-down-longe-da-escola-gera-multa-aos-pais/
  • ND Mais — “Criança com Síndrome de Down fica anos fora da escola e pais são multados pela Justiça em SC” — 14/08/2026 — https://ndmais.com.br/justica/sindrome-de-down-justica-cobra-volta-a-escola/
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